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Lançado originalmente em 1989, o game Prince of Persia teve continuações e versões modestas até o título de 2003, The Sands of Time, feito para as então modernas gerações de videogame (PS2, Xbox, Gamecube). É esse episódio que o filme adapta sem empolgar muito.

“O cartão de visita “dos produtores de Piratas do Caribe diz muito do que podemos encontrar em Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, ação e aventura domingueira repleta de coreografias impressionantes, CGI a rodos e personagens ultra-estereotipadas mas no fundo bem desenhadas e interpretadas por atores de renome como Jake Gyllenhaal e Ben Kingsley. É óbvio que muito da apreciação final a este filme recai na própria expectativa que se tem, e por tal, aconselha-se prudência e não esperar daqui um clássico de aventuras que será relembrado com nostalgia daqui por 10 anos.

Gyllenhaal não rouba o filme como Johnny Depp fez com Piratas do Caribe. O destaque vai mesmo para Alfred Molina (o doutor Octopus de Homem-Aranha 2) como um vigarista que arma corridas de avestruzes nos limites do Império Persa. Ele e a beleza de Gemma Arterton, capaz de deixar os olhos vidrados, valem mais do que o oba-oba dos efeitos.Em tempo: a direção é de Mike Newell, que fez Harry Potter e o Cálice de Fogo e não foi chamado para mais nenhum filme do aprendiz de feiticeiro. É simplesmente um filme agradável e bem dirigido, sólido e sem ponta de pretensões a ganhar o Oscar de melhor filme.

O longa estreia no dia 4de junho no Brasil.

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Documentário em homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague, movimento francês de vanguarda que revolucionou a forma de se fazer cinema, influenciando cineastas do mundo inteiro, Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague tem como foco principal a relação de dois críticos que se tornaram cineastas. Donos de personalidades e origens distintas, Jean e François iniciaram sua amizade pelo amor ao cinema. Frequentavam o mesmo cineclube, gostavam dos mesmos filmes e se tornaram conhecidos, e influentes, por revolucionar o modo de se escrever críticas de cinema, na importante Cahiers du Cinéma.

O filme mostra a vida paralela de dois dos mais importantes críticos/cineastas, o já falecido François Truffaut e Jean-Luc Godard. E que, brincando, polemizando e renovando, mudaram a história do cinema.

O documentário tem o poder de mostrar com dois mestres maiores do cinema francês pensavam suas obras, seu censo de criação e acima de tudo, a exposição de suas idéias através do cinema. Sem suas assinaturas, talvez o cinema francês não encontrasse um perfil próprio. Se naufragou no fim dos anos 60, pelo menos conseguiu ao longo da década mandar seu recado, conquistando um legião de fãs até hoje. É dessa forma que Emmanuel Laurent, o diretor, pensou seu documentário. Sem abrir concessões, Laurent detalha a origem da Novelle Vague, a união dos cineastas, traça ainda suas origens para mostrar suas diferenças e ao mesmo tempo suas semelhanças. Apesar de virem de mundos diferentes, ambos nutriam da mesma paixão: O cinema.

Eles tinham muito em comum, além de utilizarem o mesmo ator Léaud, que seria o alter ego de Truffaut como Antoine Doinel. A mesma formação, o culto a Hitchcock, Hawks, Welles e alguns outros cineastas.

A Revolução de 1968 causou um rompimento do movimento e da amizade de Godard Truffaut. Os dois tomaram rumos opostos e, ideologicamente, não aceitavam a escolha um do outro. Godard passou a fazer um cinema crítico e engajado, enquanto Truffaut se manteve à parte de debates políticos. Mesmo que você goste mais de um do que de outro, dos dois ou até mesmo de nenhum, não pode negar a importantíssima contribuição de ambos para o cinema. No fim, o que os uniu e os separou, foi o amor à sétima arte. Uma verdadeira aula de cinema. Estréia 28 de Maio de 2010.

Prepare-se para entrar num mundo de futilidades. Uma verdadeira Ilha da Fantasia de sentimentos rasos e gastos profundos. Um, digamos assim, “jeito Daslu de ser”… mas sem os contrabandos. Quem não tiver nenhum tipo de problema com filmes escapistas e maravilhosos sonhos de consumo pode relaxar e curtir Sex and the City 2, sem medo de ser superficial. Afinal, cinema também é ilusão.

Nesta continuação, vemos agora a escritora Carrie (Sarah Jessica Parker) preocupada em fazer com que seu casamento não caia na monotonia. Enquanto isso, a ninfomaníaca Samantha (Kim Catrall) se entope de cremes e hormônios para afastar o terrível fantasma da menopausa, Charlotte (Kristin Davis) tenta administrar o estresse causado por suas duas filhas e Miranda (Cynthia Nixon) vive uma crise profissional. Quatro amigas com preocupações bastante comuns à grande maioria da população urbana. Os problemas podem até ser corriqueiros, mas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda não. Elas são mulheres poderosas de Nova York e utilizam duas armas infalíveis para superar as dificuldades: a forte amizade que as une e compras, muitas compras. É mais ou menos como se as Patricinhas de Beverly Hills estivessem envelhecendo, pero sin perder la ternura, jamás.

No universo de fantasia de Sex and the City, a salvação vem sob a forma de uma luxuosíssima e inesperada viagem a Abu Dhabi (na verdade, as locações são no Marrocos), com direito aos mais românticos mistérios das histórias das 1001 noites.

Entre uma profusão de cores, muitos vestidos e uma direção de arte de gosto dos mais duvidosos, o filme não apresenta nem roteiro nem direção seguros o suficiente para sustentar uma narrativa cinematográfica desejável. Fiel às suas origens televisivas, tudo é muito unidimensional, sem nuances e filmado de uma forma que parece sempre almejar a estética dos comerciais de perfumes. Sem jamais consegui-lo.
Mas o carisma das quatro amigas consegue, pelo menos em parte, espantar um pouco a sonolência que se instala no espectador nos longos 146 minutos de projeção de uma trama que se ressente fortemente de uma boa espinha dorsal. Um diálogo simpático aqui, uma situação engraçada ali, uma piada bem colocada acolá e o filme logra alguns momentos de entretenimento sem compromisso. Nada muito além disso.

Mas maldade mesmo foi o que fizeram com Liza Minelli. A veterana atriz – mais torta e plastificada que a Ana Maria Braga – faz uma participação especial cantando e dançando. Ou melhor, tentando cantar e tentando dançar, num momento patético do filme. Alguém deveria ter tido o bom senso de eliminar a cena, para pelo menos preservar o ícone que Liza foi.  Sex and the City 2 estréia em 28 de Maio de 2010.

Você tem um monte de carros usados que não consegue vender? Chame o Don Ready (Jeremy Piven) para fazê-lo. Verdadeira estrela do rock no mercado de carros usados, Ready, é um cara louco que vive na estrada ajudando concessionárias a esvaziarem o pátio. Juntamente dos seus amigos Jibby Newsome (Ving Rhames), Brent Gage (David Koechner) e Babs Merrick (Kathryn Hahn), Ready consegue garantir uma super venda de carros a qualquer custo.

Don está meio abalado desde um acidente que aconteceu na cidade de Albuquerque. Ele acabou perdendo seu melhor amigo, McDermott (Will Ferrell) e não está totalmente recuperado ainda. Mas quando ele recebe uma ligação de Ben Selleck (James Brolin) para que ele vá salvar a sua família de suas dificuldades financeiras, com apenas um fim de semana para liquidar o estoque de carros e tirá-los da pindaíba, Don aceita de pronto o desafio.

Ele parte para a Selleck Motors e reúne sua equipe com o pessoal local, formando um grande time de vendedores pirados. Entre os gerentes está a bela filha de Selleck, Ivy, que rouba toda a atenção de Don.

Num primeiro momento, o roteiro de Carros Usados, Vendedores Pirados chega a passar a impressão que enveredará pelos caminhos da sátira contra os efeitos da recessão que abalou os EUA e o mundo, no ano passado. Mas é só impressão. Depois, num segundo momento, ensaia o que poderia ser uma crítica bem-vinda à mania do politicamente correto que vem assolando a sociedade ocidental já há alguns anos. Uma cena em particular, onde o protagonista faz um discurso “heróico” a favor da liberdade de fumar, sinaliza esta suposta intenção. Nova decepção: o filme não explora este filão.

Não demora muito para que o filme finalmente assuma que irá mesmo apostar suas fichas apenas no humor grosseiro, sem sutilezas, com situações grotescas e piadas dignas de um bando de motoristas russos de caminhão. Embriagados. E fica nisso.

Um ator adulto interpretando um personagem de 10 anos de idade que tem problemas porque seu corpo se desenvolve muito mais rápido que sua mente dá bem o tom do tipo de humor que o filme destila.

O Filme estréia em 28 de Maio de 2010.

Créditos: Cineclick

Baseado no livro de Robert Harris, O Escritor Fantasma é um tratado sobre a mentira, o irreal, a manipulação dos fatos, um suspense político recheado de traições e mistério.

Ewan McGregor é o personagem título, contratado para continuar escrevendo as memórias de Adam Lang (Pierce Brosnan), um ex Primeiro Ministro que comandou a Inglaterra na época da Guerra do Iraque. A idéia é que estas entrevistas sejam editadas por um Fantasma sob a forma de “auto-biografia” de Lang. Quando o político é acusado de crimes de guerra e o escritor fantasma, que estava anteriormente escrevendo o tal livro, foi misteriosamente encontrado morto, o trabalho, que já era perigoso, passa a tomar enormes e perigosas proporções, a ponto de colocar a vida de ambos em risco.

E as preocupações do protagonista não param por aí. Como o conteúdo do livro deve permanecer totalmente sigiloso até a sua publicação, ele trabalhará dentro de um rígido esquema de segurança, isolado no casarão que funciona como quartel general do ex-Primeiro Ministro. Está armado o clima de suspense: isolamento, morte misteriosa, trama política, muito dinheiro envolvido. Adicione-se uma esposa ciumenta, uma belíssima casa envidraçada e mistérios que só serão resolvidos no último minuto do filme.

O diretor Polanski resgata o suspense psicológico da obra prima O Bebê de Rosemary (1968) e o clima noir de Chinatown (1974), os unindo em um único filme. A sutileza de sugerir, em vez de mostrar, faz a história crescer em tensão, a cada fato que induz a uma pista, a cada nova descoberta.Grande parte do filme se passa em uma ilha, o que lembra o ambiente claustrofóbico de Ilha do Medo (2010), que, por sua vez, parece ter pitadas de Polanski, o resultado é uma excelente safra de imperdíveis suspenses.

Uma co-produção entre Inglaterra, França e Alemanha que – com méritos – deu o Urso de Prata de melhor direção a Roman Polanski no Festival de Berlim 2010. Polanski que, por sinal, continua em prisão domiciliar enquanto responde a um antigo processo por estupro contra uma menor.

Escritor Fantasma Estréia em 28 de maio de 2010.

Olhos Azuis

Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JKF, em Nova York, em seu último dia de trabalho, antes da aposentadoria, começa a beber em serviço e perde totalmente o controle. Além de não querer deixar seu cargo (pelo poder da posição), um sério problema de saúde o aflige. Ele quer descontar suas raivas, frustrações e angústias em alguém.

Ao entrar nos EUA pessoas de vários países são detidas na imigração, onde o oficial-responsável pela liberação de entrada, dá as ordens abusando do seu poder. Outros dois assistentes entram no jogo de perguntas e respostas, dizem ser necessário para carimbar o passaporte, o que começa a irritar o brasileiro Nonato (Ihrandir Santos) e transforma a espera num pesadelo para todos. Entre os imigrantes, todos povos latinos, uma cubana estudante de balé clássico, uma poetisa argentina com marido, um grupo de Honduras, etc.

Num ambiente claustrofóbico semelhante ao obtido por Giuseppe Tornatore em Simples Formalidade (1994), o diretor José Joffily (Quem Matou Pixote? e Dois Perdidos numa Noite Suja) cria com muita eficiência um clima de forte tensão, no qual gradativamente se destilam os mais arraigados sentimentos de ódio, culpa e preconceito.

A situação começa a se desvendar partindo do futuro onde Marshal, o oficial, se encontra em Recife procurando uma menina com a ajuda de uma garota Bia que conhece nas ruas. No vai e vem de presente e futuro é possível saber o que aconteceu, mas que será revelado apenas no final, embora previsível..

Este é uma real visão do “Sonho Americano”-trabalhar nos EUA e ficar rico ou, pelo menos se dar bem… sonho este acalentado por vários brasileiros que acabaram retornando sem realizar nada. A ilusão de que em outro país a vida será menos miserável cria objetivos meio malucos.

Atores brasileiros e americanos, maior parte do filme em inglês, vai ajudar na distribuição em outros países, reunindo um time de primeira, excelentes atuações que chega mesmo a irritar.

As linhas narrativas se encaminham com competência para a solução final que – se não é exatamente surpreendente – tem o mérito de carregar consigo uma vigorosa discussão sobre as diferenças históricas e aparentemente irreconciliáveis que separam as civilizações dominantes das dominadas.  O elenco de apoio é ótimo, com destaque para a prostituta Bia (Cristina Lago) e os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público.

Um belo trabalho do diretor Joffily, forte e corajoso, que foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o principal, de Melhor Filme. O longa estréia em 28 de Maio de 2010.

A trama começa como se fosse apenas mais um filme de terror adolescente (e felizmente não será). Dan (Kevin Zegers), a namorada Parker (Emma Bell) e o amigão Joe (Shawn Ashmore, o Homem de Gelo de X-Men) se divertem numa estação de esqui, quando o improvável acontece: por causa de uma série de mal entendidos, um funcionário desliga o teleférico onde os três se encontram, rumo ao topo da montanha de onde desceriam esquiando. É início de noite, a estação está sendo fechada e os três jovens são esquecidos no alto do teleférico, sozinhos, sob um frio congelante. Uma excelente e instigante premissa para um bom filme de suspense.

As luzes se apagam, pular pode ser fatal e os cabos de aço que ligam um banco a outro são cortantes como uma navalha. O que eles tentarão fazer? O clima de desespero é crescente, sem ser histérico, e os protagonistas desenvolvem uma boa química dramática entre eles. Adam Green demonstra bastante habilidade não somente roteirizando como também dirigindo (embora o roteiro seja sensivelmente melhor que a direção). Felizmente o filme não descamba para a matança e para a violência gratuita que tanto tem caracterizado o gênero recentemente.

Pânico na Neve é um longa competente em sua proposta: ser um suspense tenso, com cenas fortes, que deixam o espectador aflito na poltrona do cinema. É uma ótima pedida para quem gosta deste tipo de filme, mas não é recomendado pra quem sofre com problemas de coração ou hipertensão arterial.

O longa estréia em 28 de Maio de 2010.

Deu a Louca nos Bichos

Depois de se mudar com sua família de Chicago para a floresta de Oregon para supervisionar o trabalho de construção de uma casa “ecologicamente correta“, Dan Sanders (Brendan Fraser) pensa que seu maior problema é lidar com a fobia pela natureza de seu filho adolescente. Ou agüentar seu exigente chefe.

Mas quando sua atividade exige destruir o habitat local dos animais que ali vivem, ele entra na lista negra dos bichos e está para descobrir quanta confusão um bando de criaturas da floresta pode causar. Eles sabotam o trabalho de Dan dia e noite, colocando sua carreira em risco e iniciando uma divertida batalha entre homem contra a natureza.

Sem complicações, Deu a Louca nos Bichos aposta em trapalhadas, enganos e empatia do público com as vítimas. À exceção de Brendan Fraser, os atores sequer têm de trabalhar muito para dar vida a seus personagens, que servem apenas de contraponto ao protagonista.

Do elenco coadjuvante, o destaque é Samantha Bee, comediante da equipe do The Daily Show With John Stewart, o elenco conta ainda com Brooke Shields, Ricky Garcia. Já está mais do que na hora da canadense ganhar um personagem grande no cinema.

Ah, aos espectadores que buscam um filme que valha a pipoca, o ingresso e ainda passe uma mensagem, Deu a Louca nos Bichos também não se esquece dessa faixa do mercado. Nas entrelinhas, o filme condena quem não se relaciona de maneira harmônica com a natureza, já que os percalços de Dan são retratados como punição. Simplista. Mas tudo que Deu a Louca nos Bichos não quer é ser minimamente complicado.

Créditos: cineclick

Quincas Berro D’Água

Aos 50 anos, Joaquim Soares da Cunha (Paulo José) – funcionário público exemplar, bom pai e bom esposo – joga tudo para o alto depois de se aposentar. Sem nenhuma explicação deixa a família e se muda para uma pocilga com a intenção de apenas curtir a vida, transformando-se em Quincas Berro D’ Água – rei dos botecos, bordéis e gafieiras da Bahia.

Um dia, ele é achado morto em seu quarto. A família tenta apagar da memória os anos de loucura, dando a Quinca um enterro respeitável. Mas, inconformados com sua morte, seus melhores amigos aparecem no velório, roubam o corpo e o levam para uma última noite regada a festa e muita bebida. Em meio a várias confusões, Quincas “vive” a sua segunda e definitiva morte, desta vez como sempre sonhou.

A comédia é dirigida por Sérgio Machado (Cidade Baixa 2005),  o longa ainda conta com Marieta Severo, Mariana Ximenes e Vladimir Brichta no elenco.

Baseado no livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, lançado em 1958, o filme consegue levar para a tela boa parte do humor, da picardia, da malandragem e da crítica social que sempre permearam a obra do famoso escritor baiano.

Além de ser uma comédia ágil e divertidíssima, bem dirigida e com ótimas atuações, a parte técnica do filme chama a atenção. Fotografia, direção de arte, roteiro, cenografia… tudo perfeito. Até o som, aspecto tão criticado do cinema nacional, é fantástico (tanto a captação, quanto os efeitos).

O filme conseguiu aliar conteúdo, diversão, crítica social, humor e qualidade técnica.

Quincas Berro D’ Água estréia nos cinemas em 21 de maio de 2010.

A trama, em relação à original, sofre ligeiras modificações.  Da união entre um deus e uma mortal nasce Perseu (Sam Worthington) que é criado como homem e não sabe que é um semideus, até que sua família é aniquilada por Hades (Ralph Fiennes), o vingativo deus do reino dos mortos.

Sem nada a perder, Perseu se oferece como voluntário para comandar a perigosa missão de derrotar Hades, antes que este consiga tomar o lugar de Zeus (Liam Neeson) e, assim, possa instalar o inferno na Terra. Liderando um grupo de guerreiros, Perseu parte numa jornada nas profundezas dos mundos proibidos. E a diferença desta história para a original é que tudo gira em torno do trio Perseu – Hades – Zeus, quando no filme de 1981 outros deuses têm destaque, como Athenas e Afrodite (essa interpretada pela eterna bond girl Ursula Andrews).

Sua transposição para o 3D vai frustrar quem for ao cinema esperando uma experiência semelhante a “Avatar”, já que o estúdio resolveu converter tudo na última hora, de olho na possibilidade de ganhar mais dinheiro. Parece que, cada vez mais, os estúdios querem empurrar o 3D garganta abaixo dos espectadores, garantindo assim ingressos mais caros e, conseqüentemente, uma grana extra na bilheteria. No caso específico de Fúria de Titãs o que vemos é uma falta de respeito com o espectador, que assiste a um filme visualmente de baixa qualidade. Triste, para dizer o mínimo.

Fúria de Titãs tenta ser grandioso que deixa de ter essência. Falta carisma a Perseu, falta relevância no roteiro. Hades é imortal e o Slusho [monstro do Cloverfield], ou melhor Kraken, tem destino certo. Um vexame em 3D, assista em 2D. Destaque para a cena de ação com os escorpiões. Há quem diga que o filme é péssimo porem eu acho que é um filme mediano.

O longa estréia em 21 de maio de 2010.                                                                                                                                        Trailer Aqui

-Por Elias Salattiel

Maré de Azar

Maré de Azar é a comédia de Mike Judge, diretor e roteirista de Beavis and Butt-Head e do inesquecível Como Enlouquecer Seu Chefe (1999). Na trama Joel (Jason Bateman, de “Juno”), um empresário do ramo de extratos de culinária, parece ser um cara de sorte. É proprietário de uma marca conhecida, tem um ótimo carro, uma bela casa, uma linda esposa, e está prestes a fechar um grande negócio. Mas (sempre tem um mas, um porém, um contudo, um todavia ou um entretanto nessas histórias), as aparências enganam.

 Há meses, a mulher de Joel, Susie (Kristen Wiig,de “Uma Noite Fora de série”), se recusa a fazer sexo. Mas ele acredita que tudo pode mudar com a chegada de Cindy (Mila Kunis, de “O Livro de Eli”), uma nova funcionária bonita, interessada e oferecida.

Seu amigo Dean (Ben Affleck, de “Intrigas de Estado”) sempre chapado, resolve lhe oferecer alguns (péssimos) conselhos. Entre as sugestões, está contratar um amante para seduzir Susie, assim Joel poderá traí-la sem se sentir culpado. E o pior é que ele resolve seguir os conselhos e, entre outras coisas inusitadas, acaba tendo que enfrentar Joe Adler, um ensandecido advogado, interpretado por Gene Simmons, baixista do Kiss

 Mike Judge volta à temática problemas no ambiente de trabalho com competência, oferecendo uma comédia leve e bem gostosa. O elenco é ótimo e o roteiro bem amarrado, com bons diálogos. Vale uma ida ao cinema. As surpresas são hilariantes e garantem um sorriso constante no rosto. O estilo de humor de Mike Judge nesta obra demonstra maturidade e confiança. O filmes estréia dia 14 de Maio de 2010.

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O mitológico herói inglês do século 13 já apareceu nas telonas e nas telinhas em mais ou menos uma centena de filmes, tendo sido encarnado por atores como Errol Flynn, Sean Connery, Kevin. O consagrado diretor Ridley Scott trás às telonas uma versão enfadonha e apática do herói saqueador. Scott fez de Robin Hood uma espécie de Coração Valente protagonizado pelo .

O roteiro deste filme segue a cartilha dos grandes estúdios quando querem reavivar franquias que encontravam-se nas cinzas, escrito por Ethan Reiff e Cyrus Voris (criadores também do argumento da animação “Kung Fu Panda”) onde seria contada a origem do herói, como tudo começou. Uma espécie de “Robin Hood Begins”. Com a entrada do diretor Ridley Scott no projeto, o roteirista Brain Helgeland (do recente “Zona Verde”) reescreveu parte do material original, e o resultado chega agora aos cinemas.

A história é passada na Inglaterra do século XII, quando morre o rei Ricardo I (Danny Huston, o Poseidon de “Luta de Titãs”), a quem o arqueiro Robin (Russel Crowe) era fiel. Sem o líder, Robin e um pequeno grupo de amigos abandonam o exército inglês, já bastante abatido pela longa e pouco proveitosa Cruzada empreendida pelo então Rei Ricardo. O reino está acéfalo e combalido. Um golpe do destino, porém, faz com que Robin e seus companheiros cruzem seus caminhos com Godfrey (Mark Strong, o vilão de “Sherlock Holmes”), que se faz passar por conselheiro do novo Rei João (Oscar Isaac), mas que na verdade é um traidor disposto a entregar a Inglaterra à inimiga França.

O roteiro erra ao abrir várias linhas narrativas simultâneas, e não apresentar uma dramaturgia consistente o suficiente para sustentar nenhuma delas. A forma aleatória como os fatos se desenrolam chega a ser primária, como o retorno do heroi ao lugar de sua infância, ou a repentina resolução de seus flash-backs.

O humor aguçado e as inúmeras confusões em que Robin se metia não aparecem neste filme, que não passa de um drama arrastado e sem a menor graça, apesar da produção muitíssimo bem cuidada, da bela fotografia, com boas cenas da batalhas… mas que não funciona enquanto filme. Apesar das proporções épicas, da volta da dupla Crowe/Scott (sucesso em “Gladiador”), das belas locações na Inglaterra e no País e da Gales, e até da sempre ótima Cate Blanchett, este novo “Robin Hood” é um tédio.   O longa estréia em 14 de Maio.

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Os Homens que não Amavam as Mulheres é um dos melhores suspenses dos últimos anos. Baseado no primeiro livro da Trilogia Millennium, o longa já tem suas duas sequências finalizadas e lançadas, por enquanto, apenas na Europa. Carregado de tensão, cenas fortes, corrupção, violência e mistérios, a história gira em torno das consequências do encontro entre um jornalista investigativo e uma hacker profissional. Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) é famoso por suas reportagens que desmascaram escândalos, mas foi vítima de uma armação e condenado à prisão por difamação. Lisbeth Salander (Noomi Rapace) é uma jovem antisocial e rebelde, cheia de piercings e tatuagens, com um passado traumático e perturbador.

O filme tem como personagem principal o jornalista investigativo Mikael, contratado pelo poderoso magnata Henrik para uma missão, no mínimo, curiosa: descobrir o paradeiro de sua sobrinha Harriet, desaparecida, talvez morta, em 1966. O milionário tem razões para acreditar que foi alguém de sua própria família – cruel e numerosa – o causador do desaparecimento da (então) garota. Caberá a Mikael descobrir quem, como e por quê. Pelo caminho, o jornalista passará a contar com a colaboração da estranha e violenta Lisbeth, uma bela garota também com segredos a esconder.

Paralelamente ao foco nestes dois ótimos personagens, que parecem revezar o posto de protagonista, e cujo inusitado encontrado é latente, há cerca de quarenta anos, Harriet Vanger desapareceu misteriosamente e seu corpo nunca foi encontrado. Mesmo depois de tanto tempo, seu tio ainda acredita que ela foi assassinada por algum membro da família Vanger e contrata Mikael para investigar o caso. Ao saber de sua nova atividade, Lisbeth resolve ajudá-lo e os dois passam a ser parceiros. A dupla se envolve em um denso mistério, que, à medida em que é solucionado, vai levando a caminhos inimagináveis, que revelam obscuros segredos da misteriosa família. “Quem são os suspeitos? Ninguém. Todos”.

. “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” é um drama policial investigativo com mais sabor de cinema americano que propriamente de europeu. O roteiro é complexo, muito bem trabalhado e, apesar de não manter o foco em poucos núcleos, faz a estrutura narrativa parecer simples, tamanha a organização dos entrelaçamentos e força da montagem.  A longa duração poderia se entediante, mas nada, fica-se o tempo ligado no que acontece ou pelo menos curioso, já que o clima se mantém até o final quando ainda há surpresas.

O filmes estréia em 14 de Maio de 2010.

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Catherine e David, um casal de meia idade. Ela, ginecologista, ele professor de música. Com um filho adolescente que possui a mesma veia artística do pai. Se inicia o conflito interno de Catherine ao preparar uma festa surpresa para o marido e ele simplesmente não aparece, alegando ter perdido o vôo. Com isso, ela começa a desconfiar de uma possível traição quando descobre que ele mentiu.

Até que ponto as pessoas vão para ter essa certeza? Por outro lado, ficar na dúvida o resto da vida? Levar em frente uma relação que você não confia no companheiro? Envolver toda uma família para saber apenas isso? Como apenas? A certeza deverá ser a melhor solução, porém poderá acarretar conseqüências.

Ainda que dentro de um registro estético bastante hollywoodiano – com locações suntuosas, iluminação majestosa, trilha sonora onipresente e direção de arte hiperbólica  em O Preço da Traição prevalecem a reflexão, a introspecção, os poucos e elegantes movimentos de câmera, e principalmente a forma sem pressa de contar a história.

Evitando o moralismo, ele vai além e esmiúça com talento as dúvidas da protagonista, o medo do envelhecimento, a necessidade de ser aceita, e suas inseguranças humanas e sexuais, não apenas como esposa, mas também como amante e mãe.

O Filme chega aos cinemas brasileiros em 14 de maio.

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Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo.” A frase marcada num bar de beira de estrada nomeia o filme nacional e é o fio condutor para os pensamentos de José Renato (Irandhir Santos), que sai para uma viagem de um mês pelo Sertão nordestino.

E o filme também tem uma marca pessoal e intransferível. Os aclamados Marcelo Gomes e Karin Ainouz dupla que também conduziu “Madame Satã” (2002) e “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005). O diretor consegue uma narrativa ímpar com a história do geólogo José Renato (Irandhir Santos), enviado para realizar uma pesquisa de campo durante a qual terá que atravessar todo o Sertão,  região semi-desértica,  isolada,  situada no Nordeste do Brasil.

O objetivo é avaliar o possível percurso de um canal que será construído a partir do desvio das águas do único rio caudaloso da região. Muitos lugares por onde José Renato passa serão submersos; muitas famílias que ele encontra serão removidas. O geólogo começa a se identificar com o vazio, o abandono e o isolamento dos locais por onde passa.

A produção, em tom de documentário, é composta por quadros estáticos, como fotografias, que retratam personagens locais, a paisagem isolada e as estradas vazias. As cenas ajudam a construir a ideia de solidão de José, mais intensa à medida que o geólogo se envereda pelo Sertão. Karen Harley faz um trabalho brilhante de montagem, reunindo registros em super-8, 16 mm e digital numa concisão narrativa que emociona, movida pela trilha sonora de Chambaril e a voz de Irandhir, que apesar de invisível está presente o tempo todo.

Viajo porque preciso, Volto porque te amo é uma viagem original e inesquecível, uma busca de um homem em torno de si mesmo e da saudade que o corrói, mas também o movimenta.  O Filme estréia em 7 de Maio de 2010.            Trailer Aqui