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Crítica – Homem de Aço

cartaz-o-homem-de-acoEstreia nesta sexta-feira nos cinemas o longa-metragem O Homem de Aço, que promete dar início a mais uma sequência de filmes do herói Super-Homem.

Adaptar histórias de sucesso para o cinema é sempre difícil. Quando a adaptação em questão é de um dos personagens de quadrinhos mais populares de todos os tempos, então, é ainda mais complicado. Por isso foi árdua a tarefa que o diretor Zack Snyder (300Watchmen) recebeu ao aceitar comandar Homem de Aço.

Desta vez, um novo olhar, ainda mais apoiado em efeitos especiais e um orçamento estimado em US$ 225 milhões, Snyder não só teve de trazer Clark Kent para os dias atuais, como também de fazê-lo à altura dos recentes sucessos na transposição de heróis para as telas, como o Batman de Christopher Nolan – aqui, aliás, como produtor do longa. É justo dizer que ele conseguiu cumprir ao menos parte da tarefa.

O longa-metragem começa com o nascimento de Kal-El (o Super-Homem) no planeta Krypton – fadado ao fim. O bebê logo é enviado à Terra por seu pai, o cientista Jor-El (Russell Crowe). Conselheiro de Krypton, o personagem é jurado de vingança pelo general Zod (Michael Shanon), vilão que ele impede de tomar o poder. Antes de ser preso, porém, Zod promete ir atrás do filho do inimigo no futuro, na Terra, adotado por um casal pacato, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) e Kal-El (Henry Cavill) passa a se chamar Clark Kent.

Assim como o Batman de Nolan, Clark Kent é um homem atormentado, o que é enfatizado logo no início, em uma longa sequência que mostra o herói em uma jornada para descobrir quem é e de onde veio – o que acaba levando, também, à sua transformação em Super-Homem.

A sua luta para se adequar à vida na Terra é apresentada por meio de memórias de sua infância. Quando descobre sua origem, porém, ele se transforma em Super-Homem e atrai a atenção de Zod. Como prometido, o vilão tentará dominar o filho de Jor-El e a Terra, cabendo ao herói enfrentar o inimigo. E  assim permanece, até que seu caminho cruza com o da repórter Lois Lane (Amy Adams), que investiga a descoberta de uma suposta nave espacial sob o gelo. É aí que o herói vai descobrir sua verdadeira identidade .

No clímax de  “O Homem de Aço” em sua reinvenção cinematográfica do herói, Superman enfrenta o General Zod em uma batalha de superseres jamais vista no cinema. Em outras palavras: o número de corpos nos destroços é imenso, a destruição é quase interminável. Imagine o clímax de “Os Vingadores” turbinado por um Michael Bay em escala maior do que no terceiro “Transformers”.

Mostrando-se muito melhor que seu horrendo antecessor, Homem de Aço tem tudo para ser o primeiro de uma série de grandes filmes de um herói por muito esquecido.

MMF2Sequências de animações costumam pecar pelo excesso. Na ânsia de apresentar novidades, elas com frequência oferecem uma overdose de personagens e situações que termina por quebrar o encanto que havia no filme original. “Meu Malvado Favorito 2” foge a essa sina apostando na máxima “em time que está ganhando não se mexe”.

A continuação repete as duplas originais de diretores e de roteiristas e preserva o foco nos pontos fortes do filme original. A saber: a relação do vilão regenerado Gru com Agnes, Margô e Edith, as garotinhas que adotou, e as trapalhadas cometidas pelos minions, assistentes do protagonista com forma de batata e linguajar incompreensível.

O coração da sequência ainda é a questão da paternidade. Antes de ser vilão, Gru é homem –portanto, alguém com tendência a ser bruto, despreparado para o afeto. A beleza está na transformação de Gru em um ser altruísta, que começou no primeiro filme e se completa no segundo–e que torna a animação recomendada aos pais.

Se o amor de Gru pelas filhas responde pela emoção, os minions representam o alívio cômico. Os roteiristas e diretores tiveram a sabedoria de aumentar o espaço dado a eles, o que garante ótimos momentos de humor visual.

Mantidas essas bases do primeiro filme, “Meu Malvado Favorito 2” oferece uma virada na trama. Gru, agora um pacato pai de família, é convocado pela Liga Anti-Vilões para encontrar um bandido escondido em um shopping.

Na missão, conta com a ajuda da agente Lucy Wilde. O principal suspeito da dupla é El Macho, um ex-vilão que se tornou dono de um restaurante mexicano. A maior novidade é a paixão que Gru desenvolve por Lucy, ao mesmo tempo em que sua filha mais velha cai de amores pelo filho de El Macho.

Mais do que o vilão, o protagonista terá que enfrentar a própria timidez e a adolescência da filha, acompanhada pelo temor de perdê-la para outro amor –algo que qualquer pai poderá compreender.

Ao equilibrar-se entre humor e sentimento, “Meu Malvado Favorito 2” mantém a essência e a qualidade do filme original –e fica acima da média das animações que estrearam neste ano.

Muitos ainda resistem em assistir às versões dubladas nos cinemas. No entanto, em “Meu Malvado Favorito 2’’, vale a pena dar uma chance ao filme em português.

Na dublagem o  humorista Leandro Hassum novamente dá voz ao personagem Gru -como já havia feito em “Meu Malvado Favorito’’ (2010).

Com relação aos novos personagens, Maria Clara Gueiros foi escalada para dublar Lucy, a agente da Liga Anti-Vilões. No núcleo dos malvados, cantores marcam presença. Sidney Magal, por exemplo, interpreta o divertidíssimo vilão El Macho, dono de um restaurante e pai de Antonio, amigo de Margo.

O garoto, por sua vez, ganha a voz do cantor Arthur Aguiar (ex-integrante do Rebeldes).

 

 

 

Créditos: Ricardo Calil

Guerra-Mundial-Z-posterNa sequência inicial de Guerra Mundial Z, os cinéfilos apaixonados por cinema de terror vão identificar semelhanças entre a trilha sonora do filme e “Tubular Bells”, tema de O Exorcista, escrito por Mike Oldfield. Embora seja inferior em todos os aspectos ao clássico de William Friedkin, o novo longa-metragem do suíço Marc Forster (de Em Busca da Terra do Nunca e 007 – Quantum of Solace) tem o mérito de tentar, às vezes com êxito, dar um tanto de complexidade a um blockbuster de verão, cujo tema central é uma epidemia planetária que está transformando a humanidade em zumbis

O filme, se inicia já em clima apocalíptico: uma colagem de trechos de telejornais, costurados para sugerir ao espectador que o mundo anda mal das pernas, cambaleando em direção ao abismo. Na Filadélfia, Gerry Lane (Brad Pitt), sua mulher (Mireille Enos) e suas duas filhas (Sterling Jerins e Abigail Hargrove) são vistos no carro da família, dirigindo do subúrbio onde moram rumo ao centro da cidade

Embora o filme não deixe isso exatamente claro, a narrativa sugere que há algo de [muito] errado ocorrendo – além do já corriqueiro congestionamento nas autoestradas, ouve-se uma explosão, sirenes de polícia, até que surge uma figura assustadora que pode ou não ser um homem já contaminado pelo vírus. O homem se choca contra o para-brisa, mas não fica claro ainda se ele já é um morto-vivo ou não. Pode ser apenas alguém cheio de raiva, em um dia de fúria. Essa dubiedade, que marca o filme do início ao fim, é seu maior trunfo.

Vivemos uma era de obviedades, de um cinema comercial feito para espectadores com idade mental de adolescentes, que querem tudo mastigado, explicado, e Guerra Mundial Z, embora não seja nenhum O Exorcista, ao menos tenta optar por soluções narrativas menos óbvias.

Gerry, um ex-investigador das Nações Unidas, passa boa parte da trama viajando pelo mundo em busca da origem do vírus e sua possível cura, mas o espectador pode intuir quais sejam as possíveis causas do mal: o filme fala tanto de zumbis quanto da crise econômica mundial, da ameaça do terrorismo, dos levantes populares que brotam mundo afora, inclusive no Brasil.Embora não tenha a proposta de discutir aspectos mais sociológicos de histórias de zumbis mais ousadas, como a do seriado The Walking Dead.

O filme se desenvolve como um filme de aventura em que os zumbis são os obstáculos à evolução da civilização como a conhecemos. Poderiam ser aliens e a fórmula serviria do mesmo jeito. Forster filma ação com habilidade e tem à disposição Pitt e Enos, que são muito convincentes em seus retratos de pais e mães preocupados em manter a família unida. É o que salva o filme de se transformar em mais do mesmo, Guerra Mundial Z acerta ao não ser apenas um filme de ação com elementos de horror. Essa revolução zumbi sugere o que pode acontecer ao planeta se o caos se instaurar. A humanidade irá para o ralo e viraremos todos cadáveres anunciados.

Créditos: Paulo Camargo

universidade-monstros

É impossível não simpatizar de cara com Mike Wazowski. Desde pequenininho, o “zoiudo” sonhava em ser um monstro assustador

Seguindo a tendência de Hollywood de se contar a origem de personagens já consagrados, a bem sucedida e lucrativa parceria entre Disney e Pixar repete a fórmula e não deixa a desejar em Universidade Monstros.

O retorno às origens dos funcionários ícone da Monstros S.A. parte da premissa de contar como Mike Wazowski e James P. Sullivan se conheceram, ainda na faculdade. Ambos sonhando em se tornar grandes assustadores, Mike (Billy Cristal, na versão original), passando longe de ser assustador, entrava na faculdade dado todo o esforço desde pequeno. Já Sully (John Goodman) entrava na universidade caminhando na sombra do pai que carregava um nome já tradicional no “ramo do susto”.

Focado em Mike, o filme trata de forma interessante o fato de sua aparência não ajudar no ramo em que ele deseja seguir. E um dosMaik pontos positivos do roteiro é o de se deixar levar pelo clichê, pela velha fórmula, só que ao estilo Disney. Mike e Sully, respectivamente o nerd e o popular, inicialmente estão longe de formar qualquer amizade, principalmente depois de serem expulsos do “programa de assustadores de elite da universidade”. Mas, não tendo outra alternativa para voltar ao programa senão trabalharem juntos, sobra espaço para que a relação entre eles floresça de forma natural e divertida.

É interessante destacar a evolução (muito natural, por estarmos dez adiante do filme original; hardwares mais eficientes, softwares mais rápidos, novos renders) deste filme em relação ao último. Já é quase possível tocar as rugas ou sentir a viscosidade da pele de alguns monstros gerados pelo CGI. O brilho dos olhos de Mike é incomparável e dá vontade de entrar na tela pra abraçar o volumoso braço peludo de Sully. O 3D, que poderia tirar maior proveito de todos esses elementos, acabou ficando em segundo plano, mas nas cenas em que se faz mais necessário, cumpre bem o dever.

Outro ponto positivo vai pra Randy Newman, que retorna à trilha sonora e acerta na temática universitária com uma trilha mais animada e talvez até barulhenta se comparada ao dançante jazz do filme anterior. E ainda que seja mais espalhafatosa, é em um dos pontos altos do longa (e mais dramáticos), entre Sully e Mike, que ela se ausenta e deixa a cargo dos atores e da equipe de animação a função de sensibilizar o espectador, cujo trabalho é feito com maestria.

Mesmo deixando de aproveitar todo o potencial do 3D, ou explorar a rivalidade entre Randall (voz de Steve Buscemi) e Sully (que até poderia ser menos explícita), nenhum desses fatores desmerece a produção que continua no mesmo patamar da anterior. O filme continua com o humor bem colocado, uma história consistente e com personagens tão carismáticos quanto os que geralmente conquistam um espaço na memória pueril.

Universidade Monstros é o filme que faz jus ao espírito universitário: cheia de emoção e que brota o saudosismo no final. O bom do filme é que, depois que ele acabar, ainda tem a próxima sessão pra começar tudo de novo.

Créditos: Luan Tannure


star trek

Tão grandioso e impactante quanto seu antecessor, “Além da Escuridão – Star Trek”  equilibra-se entre fazer todo tipo de referência ao filme anterior e reverência a elementos já consagrados daquele universo.

J.J. Abraham o criador de “Lost”, que em 2009 deu nova vida à saga da boa e velha série “Jornada nas Estrelas”, com o filme “Star Trek”, volta a escalar a tripulação da Enterprise para novas aventuras em “Além da Escuridão – Star Trek”, que se mantém totalmente fiel aos costumes antigos é candidato a blockbuster do fim de semana.

 Benedict Cumberbatch, construiu um vilão tão ameaçador quando o Nero do primeiro filme, mas muito mais tridimensional e inteligente seu personagem Khan é um terrorista alienígena que planeja destruir a Terra, como vingança contra algo que aconteceu no passado contra seu povo.

Para isso, ele consegue atrair a atenção de Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto), que saem à sua procura a bordo da espaçonave já conhecida de várias gerações de fãs. Incorporada à tripulação está a bela Carol (Alice Eve), filha do almirante Marcus (Peter Weller, de “Robocop”), a quem Kirk terá que se reportar. A bordo, o almirante embarcou um arsenal bélico, cuja finalidade continuará misteriosa durante boa parte do filme.

 Idealizado para atingir uma geração de fãs mais jovens, aproveitando os efeitos do 3D, o diretor remete ao espectador a combinação perfeita de sequências de ação de cair o queixo com dramas pessoais cativantes.

A exploração do universo e a busca de outras formas de vida fora da Terra, parte central do seriado televisivo, acabam ficando em segundo plano, o que é uma pena para quem gosta de ficção científica.

Trailer legendado de “Além da Escuridão – Star Trek”

Créditos – Luiz Vita/Leandro Steland

O Golpista do Ano – Critica

O golpista do ano” (“I love you, Philip Morris”), comédia de humor negro com Jim Carrey que em seu personagem vive um romance com o personagem de Rodrigo Santoro (“Cinturão Vermelho”) e depois com o de Ewan McGregor (“O escritor fantasma”). Exibido no Festival do Rio 2009 e com estréia adiada várias vezes nos Estados Unidos, o polêmico filme conta a história real do trapaceiro Steven Russell (vivido pelo astro de “O máscara” e “Todo poderoso”) que, depois de sofrer um acidente, resolve mudar de vida: larga a mulher e assume sua homossexualidade.

Quando o filme começa, o personagem de Carrey, Steven, está em seu leito de morte. Boa parte do filme transcorre como um longo flashback. Primeiro, ele conta como foi um policial que abandonou a mulher e a filha, assumiu sua homossexualidade (até então vivia “dentro do armário”), e caiu no mundo com namorado (Santoro) a tiracolo. Um acidente de carro que quase o mata faz o protagonista repensar sua vida.

Mas ele logo descobre que ser gay, fashion e viver uma vida de luxo não é nada barato. Ele começa a dar pequenos golpes que, num efeito bola de neve, vão se tornando cada vez maiores até levá-lo à prisão – onde ele irá conhecer seu grande amor: Philip Morris (McGregor), um sujeito doce e um tanto ingênuo. O amor é à primeira vista. Mas nem com o novo namorado Steven consegue manter sob controle seu impulso mentiroso, o que só complica a situação.

Fora da prisão e com uma vida repleta de mentiras dos mais variados tamanhos, Steven consegue manter um alto padrão de vida. Obtém bons empregos, salários gigantescos e uma vida de luxo, dando um golpe depois do outro. Quando a verdade vier à tona, poderá ser tarde demais.

O humor em “O golpista do ano” vem mais do absurdo das situações, cada vez mais insólitas, do que das caretas de que Carrey não abre mão quando faz comédia. A ideia do filme não é que seu personagem seja engraçado. A graça reside na bola de neve, nas mentiras cada vez maiores e nas situações nada convencionais do romance entre Phillip e Steven.

Créditos: Alysson Oliveira

Marmaduke, adaptação do quadrinho criado por Brad Anderson teve seu primeiro pôster divulgado. Na arte, o dogue alemão dublado por Owen Wilson aparece junto com a gatinha mazie ( dublada por Emma Stone)

No filme dirigido por Tom Dey, a família Winslow se muda para uma cidade do Kansas com seu enorme, babão e bagunceiro cão, que instaura o caos por onde passa. Seu dono (Lee Pace) quer impressionar seu novo chefe e, de certa forma, acaba influenciando Marmaduke a deixar as coisas que realmente importam de lado. As lições de moral começam a tomar corpo aí, com aqueles ensinamentos de que os familiares e os verdadeiros amigos são quem nos aceitam como nós somos e são eles que temos que valorizá-los, não quem só enxerga nossos defeitos. O clímax do longa, não oferece nada de diferente aos filmes do gênero. Mas, algumas cenas se salvam, como a do encontro de Marmaduke com a Afghan Jezebel, quando toca Let´s Get it On, do Marvin Gaye.

Christopher Mintz-Plasse, Ron Perlman, Judy Greer, Anjelah Johnson, Lee Pace, Steve Coogan, William H. Macy, George Lopez, Stacy Ferguson, Damon Wayans Jr., David Walliams, Amanda Seyfried e Jeremy Piven completam o elenco.

Marmaduke é um filme para crianças. Se você acha que seu filho de seis, sete anos, já tem idade para aprender a lidar com rejeições de adolescente, Marmaduke está aí para ensinar.

O Longa estréia em 4 de junho nos EUA e no Brasil.

Lançado originalmente em 1989, o game Prince of Persia teve continuações e versões modestas até o título de 2003, The Sands of Time, feito para as então modernas gerações de videogame (PS2, Xbox, Gamecube). É esse episódio que o filme adapta sem empolgar muito.

“O cartão de visita “dos produtores de Piratas do Caribe diz muito do que podemos encontrar em Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, ação e aventura domingueira repleta de coreografias impressionantes, CGI a rodos e personagens ultra-estereotipadas mas no fundo bem desenhadas e interpretadas por atores de renome como Jake Gyllenhaal e Ben Kingsley. É óbvio que muito da apreciação final a este filme recai na própria expectativa que se tem, e por tal, aconselha-se prudência e não esperar daqui um clássico de aventuras que será relembrado com nostalgia daqui por 10 anos.

Gyllenhaal não rouba o filme como Johnny Depp fez com Piratas do Caribe. O destaque vai mesmo para Alfred Molina (o doutor Octopus de Homem-Aranha 2) como um vigarista que arma corridas de avestruzes nos limites do Império Persa. Ele e a beleza de Gemma Arterton, capaz de deixar os olhos vidrados, valem mais do que o oba-oba dos efeitos.Em tempo: a direção é de Mike Newell, que fez Harry Potter e o Cálice de Fogo e não foi chamado para mais nenhum filme do aprendiz de feiticeiro. É simplesmente um filme agradável e bem dirigido, sólido e sem ponta de pretensões a ganhar o Oscar de melhor filme.

O longa estreia no dia 4de junho no Brasil.

Documentário em homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague, movimento francês de vanguarda que revolucionou a forma de se fazer cinema, influenciando cineastas do mundo inteiro, Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague tem como foco principal a relação de dois críticos que se tornaram cineastas. Donos de personalidades e origens distintas, Jean e François iniciaram sua amizade pelo amor ao cinema. Frequentavam o mesmo cineclube, gostavam dos mesmos filmes e se tornaram conhecidos, e influentes, por revolucionar o modo de se escrever críticas de cinema, na importante Cahiers du Cinéma.

O filme mostra a vida paralela de dois dos mais importantes críticos/cineastas, o já falecido François Truffaut e Jean-Luc Godard. E que, brincando, polemizando e renovando, mudaram a história do cinema.

O documentário tem o poder de mostrar com dois mestres maiores do cinema francês pensavam suas obras, seu censo de criação e acima de tudo, a exposição de suas idéias através do cinema. Sem suas assinaturas, talvez o cinema francês não encontrasse um perfil próprio. Se naufragou no fim dos anos 60, pelo menos conseguiu ao longo da década mandar seu recado, conquistando um legião de fãs até hoje. É dessa forma que Emmanuel Laurent, o diretor, pensou seu documentário. Sem abrir concessões, Laurent detalha a origem da Novelle Vague, a união dos cineastas, traça ainda suas origens para mostrar suas diferenças e ao mesmo tempo suas semelhanças. Apesar de virem de mundos diferentes, ambos nutriam da mesma paixão: O cinema.

Eles tinham muito em comum, além de utilizarem o mesmo ator Léaud, que seria o alter ego de Truffaut como Antoine Doinel. A mesma formação, o culto a Hitchcock, Hawks, Welles e alguns outros cineastas.

A Revolução de 1968 causou um rompimento do movimento e da amizade de Godard Truffaut. Os dois tomaram rumos opostos e, ideologicamente, não aceitavam a escolha um do outro. Godard passou a fazer um cinema crítico e engajado, enquanto Truffaut se manteve à parte de debates políticos. Mesmo que você goste mais de um do que de outro, dos dois ou até mesmo de nenhum, não pode negar a importantíssima contribuição de ambos para o cinema. No fim, o que os uniu e os separou, foi o amor à sétima arte. Uma verdadeira aula de cinema. Estréia 28 de Maio de 2010.

Prepare-se para entrar num mundo de futilidades. Uma verdadeira Ilha da Fantasia de sentimentos rasos e gastos profundos. Um, digamos assim, “jeito Daslu de ser”… mas sem os contrabandos. Quem não tiver nenhum tipo de problema com filmes escapistas e maravilhosos sonhos de consumo pode relaxar e curtir Sex and the City 2, sem medo de ser superficial. Afinal, cinema também é ilusão.

Nesta continuação, vemos agora a escritora Carrie (Sarah Jessica Parker) preocupada em fazer com que seu casamento não caia na monotonia. Enquanto isso, a ninfomaníaca Samantha (Kim Catrall) se entope de cremes e hormônios para afastar o terrível fantasma da menopausa, Charlotte (Kristin Davis) tenta administrar o estresse causado por suas duas filhas e Miranda (Cynthia Nixon) vive uma crise profissional. Quatro amigas com preocupações bastante comuns à grande maioria da população urbana. Os problemas podem até ser corriqueiros, mas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda não. Elas são mulheres poderosas de Nova York e utilizam duas armas infalíveis para superar as dificuldades: a forte amizade que as une e compras, muitas compras. É mais ou menos como se as Patricinhas de Beverly Hills estivessem envelhecendo, pero sin perder la ternura, jamás.

No universo de fantasia de Sex and the City, a salvação vem sob a forma de uma luxuosíssima e inesperada viagem a Abu Dhabi (na verdade, as locações são no Marrocos), com direito aos mais românticos mistérios das histórias das 1001 noites.

Entre uma profusão de cores, muitos vestidos e uma direção de arte de gosto dos mais duvidosos, o filme não apresenta nem roteiro nem direção seguros o suficiente para sustentar uma narrativa cinematográfica desejável. Fiel às suas origens televisivas, tudo é muito unidimensional, sem nuances e filmado de uma forma que parece sempre almejar a estética dos comerciais de perfumes. Sem jamais consegui-lo.
Mas o carisma das quatro amigas consegue, pelo menos em parte, espantar um pouco a sonolência que se instala no espectador nos longos 146 minutos de projeção de uma trama que se ressente fortemente de uma boa espinha dorsal. Um diálogo simpático aqui, uma situação engraçada ali, uma piada bem colocada acolá e o filme logra alguns momentos de entretenimento sem compromisso. Nada muito além disso.

Mas maldade mesmo foi o que fizeram com Liza Minelli. A veterana atriz – mais torta e plastificada que a Ana Maria Braga – faz uma participação especial cantando e dançando. Ou melhor, tentando cantar e tentando dançar, num momento patético do filme. Alguém deveria ter tido o bom senso de eliminar a cena, para pelo menos preservar o ícone que Liza foi.  Sex and the City 2 estréia em 28 de Maio de 2010.

Você tem um monte de carros usados que não consegue vender? Chame o Don Ready (Jeremy Piven) para fazê-lo. Verdadeira estrela do rock no mercado de carros usados, Ready, é um cara louco que vive na estrada ajudando concessionárias a esvaziarem o pátio. Juntamente dos seus amigos Jibby Newsome (Ving Rhames), Brent Gage (David Koechner) e Babs Merrick (Kathryn Hahn), Ready consegue garantir uma super venda de carros a qualquer custo.

Don está meio abalado desde um acidente que aconteceu na cidade de Albuquerque. Ele acabou perdendo seu melhor amigo, McDermott (Will Ferrell) e não está totalmente recuperado ainda. Mas quando ele recebe uma ligação de Ben Selleck (James Brolin) para que ele vá salvar a sua família de suas dificuldades financeiras, com apenas um fim de semana para liquidar o estoque de carros e tirá-los da pindaíba, Don aceita de pronto o desafio.

Ele parte para a Selleck Motors e reúne sua equipe com o pessoal local, formando um grande time de vendedores pirados. Entre os gerentes está a bela filha de Selleck, Ivy, que rouba toda a atenção de Don.

Num primeiro momento, o roteiro de Carros Usados, Vendedores Pirados chega a passar a impressão que enveredará pelos caminhos da sátira contra os efeitos da recessão que abalou os EUA e o mundo, no ano passado. Mas é só impressão. Depois, num segundo momento, ensaia o que poderia ser uma crítica bem-vinda à mania do politicamente correto que vem assolando a sociedade ocidental já há alguns anos. Uma cena em particular, onde o protagonista faz um discurso “heróico” a favor da liberdade de fumar, sinaliza esta suposta intenção. Nova decepção: o filme não explora este filão.

Não demora muito para que o filme finalmente assuma que irá mesmo apostar suas fichas apenas no humor grosseiro, sem sutilezas, com situações grotescas e piadas dignas de um bando de motoristas russos de caminhão. Embriagados. E fica nisso.

Um ator adulto interpretando um personagem de 10 anos de idade que tem problemas porque seu corpo se desenvolve muito mais rápido que sua mente dá bem o tom do tipo de humor que o filme destila.

O Filme estréia em 28 de Maio de 2010.

Créditos: Cineclick

Baseado no livro de Robert Harris, O Escritor Fantasma é um tratado sobre a mentira, o irreal, a manipulação dos fatos, um suspense político recheado de traições e mistério.

Ewan McGregor é o personagem título, contratado para continuar escrevendo as memórias de Adam Lang (Pierce Brosnan), um ex Primeiro Ministro que comandou a Inglaterra na época da Guerra do Iraque. A idéia é que estas entrevistas sejam editadas por um Fantasma sob a forma de “auto-biografia” de Lang. Quando o político é acusado de crimes de guerra e o escritor fantasma, que estava anteriormente escrevendo o tal livro, foi misteriosamente encontrado morto, o trabalho, que já era perigoso, passa a tomar enormes e perigosas proporções, a ponto de colocar a vida de ambos em risco.

E as preocupações do protagonista não param por aí. Como o conteúdo do livro deve permanecer totalmente sigiloso até a sua publicação, ele trabalhará dentro de um rígido esquema de segurança, isolado no casarão que funciona como quartel general do ex-Primeiro Ministro. Está armado o clima de suspense: isolamento, morte misteriosa, trama política, muito dinheiro envolvido. Adicione-se uma esposa ciumenta, uma belíssima casa envidraçada e mistérios que só serão resolvidos no último minuto do filme.

O diretor Polanski resgata o suspense psicológico da obra prima O Bebê de Rosemary (1968) e o clima noir de Chinatown (1974), os unindo em um único filme. A sutileza de sugerir, em vez de mostrar, faz a história crescer em tensão, a cada fato que induz a uma pista, a cada nova descoberta.Grande parte do filme se passa em uma ilha, o que lembra o ambiente claustrofóbico de Ilha do Medo (2010), que, por sua vez, parece ter pitadas de Polanski, o resultado é uma excelente safra de imperdíveis suspenses.

Uma co-produção entre Inglaterra, França e Alemanha que – com méritos – deu o Urso de Prata de melhor direção a Roman Polanski no Festival de Berlim 2010. Polanski que, por sinal, continua em prisão domiciliar enquanto responde a um antigo processo por estupro contra uma menor.

Escritor Fantasma Estréia em 28 de maio de 2010.

Olhos Azuis

Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JKF, em Nova York, em seu último dia de trabalho, antes da aposentadoria, começa a beber em serviço e perde totalmente o controle. Além de não querer deixar seu cargo (pelo poder da posição), um sério problema de saúde o aflige. Ele quer descontar suas raivas, frustrações e angústias em alguém.

Ao entrar nos EUA pessoas de vários países são detidas na imigração, onde o oficial-responsável pela liberação de entrada, dá as ordens abusando do seu poder. Outros dois assistentes entram no jogo de perguntas e respostas, dizem ser necessário para carimbar o passaporte, o que começa a irritar o brasileiro Nonato (Ihrandir Santos) e transforma a espera num pesadelo para todos. Entre os imigrantes, todos povos latinos, uma cubana estudante de balé clássico, uma poetisa argentina com marido, um grupo de Honduras, etc.

Num ambiente claustrofóbico semelhante ao obtido por Giuseppe Tornatore em Simples Formalidade (1994), o diretor José Joffily (Quem Matou Pixote? e Dois Perdidos numa Noite Suja) cria com muita eficiência um clima de forte tensão, no qual gradativamente se destilam os mais arraigados sentimentos de ódio, culpa e preconceito.

A situação começa a se desvendar partindo do futuro onde Marshal, o oficial, se encontra em Recife procurando uma menina com a ajuda de uma garota Bia que conhece nas ruas. No vai e vem de presente e futuro é possível saber o que aconteceu, mas que será revelado apenas no final, embora previsível..

Este é uma real visão do “Sonho Americano”-trabalhar nos EUA e ficar rico ou, pelo menos se dar bem… sonho este acalentado por vários brasileiros que acabaram retornando sem realizar nada. A ilusão de que em outro país a vida será menos miserável cria objetivos meio malucos.

Atores brasileiros e americanos, maior parte do filme em inglês, vai ajudar na distribuição em outros países, reunindo um time de primeira, excelentes atuações que chega mesmo a irritar.

As linhas narrativas se encaminham com competência para a solução final que – se não é exatamente surpreendente – tem o mérito de carregar consigo uma vigorosa discussão sobre as diferenças históricas e aparentemente irreconciliáveis que separam as civilizações dominantes das dominadas.  O elenco de apoio é ótimo, com destaque para a prostituta Bia (Cristina Lago) e os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público.

Um belo trabalho do diretor Joffily, forte e corajoso, que foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o principal, de Melhor Filme. O longa estréia em 28 de Maio de 2010.

A trama começa como se fosse apenas mais um filme de terror adolescente (e felizmente não será). Dan (Kevin Zegers), a namorada Parker (Emma Bell) e o amigão Joe (Shawn Ashmore, o Homem de Gelo de X-Men) se divertem numa estação de esqui, quando o improvável acontece: por causa de uma série de mal entendidos, um funcionário desliga o teleférico onde os três se encontram, rumo ao topo da montanha de onde desceriam esquiando. É início de noite, a estação está sendo fechada e os três jovens são esquecidos no alto do teleférico, sozinhos, sob um frio congelante. Uma excelente e instigante premissa para um bom filme de suspense.

As luzes se apagam, pular pode ser fatal e os cabos de aço que ligam um banco a outro são cortantes como uma navalha. O que eles tentarão fazer? O clima de desespero é crescente, sem ser histérico, e os protagonistas desenvolvem uma boa química dramática entre eles. Adam Green demonstra bastante habilidade não somente roteirizando como também dirigindo (embora o roteiro seja sensivelmente melhor que a direção). Felizmente o filme não descamba para a matança e para a violência gratuita que tanto tem caracterizado o gênero recentemente.

Pânico na Neve é um longa competente em sua proposta: ser um suspense tenso, com cenas fortes, que deixam o espectador aflito na poltrona do cinema. É uma ótima pedida para quem gosta deste tipo de filme, mas não é recomendado pra quem sofre com problemas de coração ou hipertensão arterial.

O longa estréia em 28 de Maio de 2010.

Deu a Louca nos Bichos

Depois de se mudar com sua família de Chicago para a floresta de Oregon para supervisionar o trabalho de construção de uma casa “ecologicamente correta“, Dan Sanders (Brendan Fraser) pensa que seu maior problema é lidar com a fobia pela natureza de seu filho adolescente. Ou agüentar seu exigente chefe.

Mas quando sua atividade exige destruir o habitat local dos animais que ali vivem, ele entra na lista negra dos bichos e está para descobrir quanta confusão um bando de criaturas da floresta pode causar. Eles sabotam o trabalho de Dan dia e noite, colocando sua carreira em risco e iniciando uma divertida batalha entre homem contra a natureza.

Sem complicações, Deu a Louca nos Bichos aposta em trapalhadas, enganos e empatia do público com as vítimas. À exceção de Brendan Fraser, os atores sequer têm de trabalhar muito para dar vida a seus personagens, que servem apenas de contraponto ao protagonista.

Do elenco coadjuvante, o destaque é Samantha Bee, comediante da equipe do The Daily Show With John Stewart, o elenco conta ainda com Brooke Shields, Ricky Garcia. Já está mais do que na hora da canadense ganhar um personagem grande no cinema.

Ah, aos espectadores que buscam um filme que valha a pipoca, o ingresso e ainda passe uma mensagem, Deu a Louca nos Bichos também não se esquece dessa faixa do mercado. Nas entrelinhas, o filme condena quem não se relaciona de maneira harmônica com a natureza, já que os percalços de Dan são retratados como punição. Simplista. Mas tudo que Deu a Louca nos Bichos não quer é ser minimamente complicado.

Créditos: cineclick