Wolverine2013Nas histórias em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller, Wolverine carimbou o passaporte para o Japão pela primeira vez em 1982, em sua primeira HQ solo. A história serviu de inspiração para o longa, que agora leva aos cinemas o passado samurai de Logan/Wolverine, filme que mistura ação e suspense promete mostrar um lado mais humano e até frágil de Logan.

“Wolverine – Imortal” segue os acontecimentos de “X-Men: O Confronto Final”. Depois de matar Jean Grey (Famke Janssen) para salvar a humanidade, ainda atormentado Wolverine (Hugh Jackman)  resolve se isolar em uma floresta no Canadá, após fazer um juramento de não violência. A promessa chega ao fim ao mesmo tempo em que seu passado o alcança, quando Yuki (Rila Fukushima)  a mando do pai adotivo o leva para o Japão, ao encontro de Yashida (Hal Yamanouchi), que foi salvo por Logan em Nagasaki, no Japão, na época em que a bomba atômica foi detonada, no ano de 1945. Yashida quer a imortalidade de Logan (que considera isso uma maldição), oferece ao mutante – como forma de agradecimento – a chance de assumir os poderes de cura que o perturbam. Porém, a troca não é aceita.

Da recusa de Logan começa a trama bem-construída pelo diretor Jerry Mangold e os roteiristas Scott Frank e Mark Bomback, em que Logan precisa proteger a neta do bilionário, herdeira do clã, de uma rede de inimigos não claramente identificáveis.

O enredo tem o mérito de manter a forte personalidade do personagem e ainda dar-lhe uma triste carga emocional – que ele só abandona nas boas sequências de ação. Hugh Jackman – que assumiu o personagem em 2000 – desenvolveu com maestria a evolução do herói e mostra por que é o intérprete absoluto de Wolverine nos cinemas. Nas cenas de ação (com uma ótima sequência que se passa em cima de um trem bala) ou nas mais sérias o ator carrega a essência do personagem dos quadrinhos – e ofusca os companheiros de elenco.

O cenário do filme é um Japão contemporâneo, em que a alta tecnologia convive com tradições e códigos de honra milenares. A direção de arte remete esteticamente àquele das primeiras histórias em quadrinhos da Marvel: um país povoado quase inteiramente por mafiosos tatuados, ninjas, samurais e gueixas

Se comparada a outras adaptações para o cinema, “Wolverine – Imortal” representa uma nova fase para o herói, que volta em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (deve estrear em 2014). Mesmo que com ritmo falho, o longa tenta não se apoiar tanto nas explosões e batalhas – desenvolve melhor seus personagens e entrega mais do que apenas efeitos especiais.

Créditos: Sandro Moser

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