Depois de muita expectativa por parte da mídia e do público, finalmente estreou neste último fim de semana no Brasil O Homem de Aço (Man of Steel)

Primeiro: como se esperava, o filme segue o tom mais sério e dramático adotado por Christopher Nolan na trilogia do Batman. Vale lembrar que Nolan é um dos produtores de O Homem de Aço e David Goyer, que também escreveu os roteiros dos três filmes do Homem Morcego, foi o responsável pela trama da “reinvenção” do Superman no cinema. Fora uma ou outra frase dita por algum personagem coadjuvante, o filme não possui alívios cômicos. Ou seja, não é uma produção “para toda a família”, na linha das adaptações de Homem de FerroOs Vingadores e Thor feitas pela Marvel Studios. Percebe-se que a Warner Bros. vai seguir mesmo um caminho oposto ao da concorrência, ainda mais depois do fiasco que foi Lanterna Verde (Green Lantern, 2011).

Superman-Homem-de-Aco-600x340Outra questão: não dá pra fazer comparações com os filmes anteriores do Azulão, mesmo o mais recente, Superman – O Retorno (Superman Returns, 2006). Não que o filme é superior ou inferior, mas sim porque são propostas totalmente diferentes. O Homem de Aço tem lá suas preocupações filosóficas e seus dramas existenciais, mas ainda é um filme que foca, quase inteiramente, na ação. Henry Cavill se mostrou à altura do papel, e está totalmente à vontade na pele do mais icônico dos super-heróis. Por isso, a discussão Christopher Reeve X Cavill é totalmente sem propósito.

 Voltando à ação: as batalhas entre Superman, Zod e seus asseclas são, mesmo, espetaculares. Grandiosas. Exageradas até. Logo após a estreia do filme pipocaram na internet comentários brincando que as lutas eram no estilo “Transformers”, à lá Michael Bay. Isto porque prédios inteiros despencam, vidros são estilhaçados para todos os lados, caminhões explodem e por aí vai. Há quem critique pelo exagero, mas, ao menos, as cenas dão uma boa noção do que é o real poder de Superman. O filme não se preocupa em mostrar a contagem dos inocentes pegos no meio da batalha, mas fica claro que Metrópolis, palco da luta final, foi arrasada em grande parte pelo poder do herói e seus inimigos. Talvez a questão do “efeito colateral” seja um ponto a ser discutido em uma sequência. Veremos.

Concluindo: as expectativas, que eram altas, foram atendidas. É um Superman para uma nova geração, menos ingênuo, mais atormentado, brutal até. O filme cumpre o seu papel ao desvincular o herói daquele personagem “coxinha” dos quadrinhos de antigamente, o escoteiro preocupado em defender os ideais e o estilo de vida norte-americanos. O roteiro tem lá seus furos e é apressado às vezes, mas, em geral, respeita a mitologia do personagem e vai além do universo estabelecido nos quadrinhos – o que também foi feito na trilogia do Batman. Talvez depois que a poeira baixar eu analise o filme com mais frieza e distanciamento. Mas, por enquanto, recomendo, tanto para os fãs de quadrinhos quanto para aqueles que querem ser apresentados a um “novo” Superman.

Créditos: Rafael Waltrick

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