Guerra-Mundial-Z-posterNa sequência inicial de Guerra Mundial Z, os cinéfilos apaixonados por cinema de terror vão identificar semelhanças entre a trilha sonora do filme e “Tubular Bells”, tema de O Exorcista, escrito por Mike Oldfield. Embora seja inferior em todos os aspectos ao clássico de William Friedkin, o novo longa-metragem do suíço Marc Forster (de Em Busca da Terra do Nunca e 007 – Quantum of Solace) tem o mérito de tentar, às vezes com êxito, dar um tanto de complexidade a um blockbuster de verão, cujo tema central é uma epidemia planetária que está transformando a humanidade em zumbis

O filme, se inicia já em clima apocalíptico: uma colagem de trechos de telejornais, costurados para sugerir ao espectador que o mundo anda mal das pernas, cambaleando em direção ao abismo. Na Filadélfia, Gerry Lane (Brad Pitt), sua mulher (Mireille Enos) e suas duas filhas (Sterling Jerins e Abigail Hargrove) são vistos no carro da família, dirigindo do subúrbio onde moram rumo ao centro da cidade

Embora o filme não deixe isso exatamente claro, a narrativa sugere que há algo de [muito] errado ocorrendo – além do já corriqueiro congestionamento nas autoestradas, ouve-se uma explosão, sirenes de polícia, até que surge uma figura assustadora que pode ou não ser um homem já contaminado pelo vírus. O homem se choca contra o para-brisa, mas não fica claro ainda se ele já é um morto-vivo ou não. Pode ser apenas alguém cheio de raiva, em um dia de fúria. Essa dubiedade, que marca o filme do início ao fim, é seu maior trunfo.

Vivemos uma era de obviedades, de um cinema comercial feito para espectadores com idade mental de adolescentes, que querem tudo mastigado, explicado, e Guerra Mundial Z, embora não seja nenhum O Exorcista, ao menos tenta optar por soluções narrativas menos óbvias.

Gerry, um ex-investigador das Nações Unidas, passa boa parte da trama viajando pelo mundo em busca da origem do vírus e sua possível cura, mas o espectador pode intuir quais sejam as possíveis causas do mal: o filme fala tanto de zumbis quanto da crise econômica mundial, da ameaça do terrorismo, dos levantes populares que brotam mundo afora, inclusive no Brasil.Embora não tenha a proposta de discutir aspectos mais sociológicos de histórias de zumbis mais ousadas, como a do seriado The Walking Dead.

O filme se desenvolve como um filme de aventura em que os zumbis são os obstáculos à evolução da civilização como a conhecemos. Poderiam ser aliens e a fórmula serviria do mesmo jeito. Forster filma ação com habilidade e tem à disposição Pitt e Enos, que são muito convincentes em seus retratos de pais e mães preocupados em manter a família unida. É o que salva o filme de se transformar em mais do mesmo, Guerra Mundial Z acerta ao não ser apenas um filme de ação com elementos de horror. Essa revolução zumbi sugere o que pode acontecer ao planeta se o caos se instaurar. A humanidade irá para o ralo e viraremos todos cadáveres anunciados.

Créditos: Paulo Camargo

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