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É impossível não simpatizar de cara com Mike Wazowski. Desde pequenininho, o “zoiudo” sonhava em ser um monstro assustador

Seguindo a tendência de Hollywood de se contar a origem de personagens já consagrados, a bem sucedida e lucrativa parceria entre Disney e Pixar repete a fórmula e não deixa a desejar em Universidade Monstros.

O retorno às origens dos funcionários ícone da Monstros S.A. parte da premissa de contar como Mike Wazowski e James P. Sullivan se conheceram, ainda na faculdade. Ambos sonhando em se tornar grandes assustadores, Mike (Billy Cristal, na versão original), passando longe de ser assustador, entrava na faculdade dado todo o esforço desde pequeno. Já Sully (John Goodman) entrava na universidade caminhando na sombra do pai que carregava um nome já tradicional no “ramo do susto”.

Focado em Mike, o filme trata de forma interessante o fato de sua aparência não ajudar no ramo em que ele deseja seguir. E um dosMaik pontos positivos do roteiro é o de se deixar levar pelo clichê, pela velha fórmula, só que ao estilo Disney. Mike e Sully, respectivamente o nerd e o popular, inicialmente estão longe de formar qualquer amizade, principalmente depois de serem expulsos do “programa de assustadores de elite da universidade”. Mas, não tendo outra alternativa para voltar ao programa senão trabalharem juntos, sobra espaço para que a relação entre eles floresça de forma natural e divertida.

É interessante destacar a evolução (muito natural, por estarmos dez adiante do filme original; hardwares mais eficientes, softwares mais rápidos, novos renders) deste filme em relação ao último. Já é quase possível tocar as rugas ou sentir a viscosidade da pele de alguns monstros gerados pelo CGI. O brilho dos olhos de Mike é incomparável e dá vontade de entrar na tela pra abraçar o volumoso braço peludo de Sully. O 3D, que poderia tirar maior proveito de todos esses elementos, acabou ficando em segundo plano, mas nas cenas em que se faz mais necessário, cumpre bem o dever.

Outro ponto positivo vai pra Randy Newman, que retorna à trilha sonora e acerta na temática universitária com uma trilha mais animada e talvez até barulhenta se comparada ao dançante jazz do filme anterior. E ainda que seja mais espalhafatosa, é em um dos pontos altos do longa (e mais dramáticos), entre Sully e Mike, que ela se ausenta e deixa a cargo dos atores e da equipe de animação a função de sensibilizar o espectador, cujo trabalho é feito com maestria.

Mesmo deixando de aproveitar todo o potencial do 3D, ou explorar a rivalidade entre Randall (voz de Steve Buscemi) e Sully (que até poderia ser menos explícita), nenhum desses fatores desmerece a produção que continua no mesmo patamar da anterior. O filme continua com o humor bem colocado, uma história consistente e com personagens tão carismáticos quanto os que geralmente conquistam um espaço na memória pueril.

Universidade Monstros é o filme que faz jus ao espírito universitário: cheia de emoção e que brota o saudosismo no final. O bom do filme é que, depois que ele acabar, ainda tem a próxima sessão pra começar tudo de novo.

Créditos: Luan Tannure

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