Após uma muito merecida indicação ao Oscar por melhor roteiro adaptado, com “Educação” (An Education, 2009), Nick Hornby lança Juliet, Nua e Crua (Juliet, Naked). Conta a história de Annie; seu namorado há muitos anos, Duncan, um fã obcecado por música; e o objeto de sua obsessão, o recluso cantor-compositor Tucker Crowe. A trama gira em torno do lançamento de “Juliet, Naked”, o primeiro lançamento de Tucker Crowe após duas décadas de silêncio.

O novo livro não é só mais um romance bem humorado do escritor, mas também aborda o que podemos chamar de “geração iTunes” e os fãs obcecados que podem se expressar pela internet. Duncan é frequentador assíduo de fóruns na internet que discutem cada detalhe da obra e carreira de Tucker Crowe e assim como todos os auto nomeados “crowologistas”, superanalisam todas as letras procurando por mensagens escondidas e novos significados. Quando o mais famoso álbum de Crowe, “Juliet”, que é baseado numa ex-namorada do cantor, é lançado em versão sem arranjos, e como o nome diz, “nu e cru”, as opiniões divergem: seria o disco produzido melhor ou pior que a versão crua? O silêncio e reclusão de Tucker deveria ou não ter sido quebrado?

Annie, a namorada de Duncan, que sempre se sentiu deixada de lado pelo seu fanatismo por Tucker Crowe, começa a questionar o relacionamento de 15 anos que vem levando. Principalmente porque Annie só gosta do cantor, não acompanha toda a histeria do namorado com cada foto que vaza na internet do possível paradeiro dele. E quando ela decide escrever uma resenha do novo álbum, do qual não gostou, um email vindo do próprio e lendário cantor provoca uma reviravolta na trama.

Se só aproveitar uma ótima comédia romântica não for o suficiente, você tem um retrato da nova geração de fãs da música e a desmistificação de ídolos, que, afinal, como Hornby mostra com Tucker Crowe, são pessoas normais, que podem, inclusive, se sentir tão fracassadas quanto qualquer um de nós, independente de suas conquistas.

Juliet, Nua e Crua é um prato cheio para fãs de Nick Hornby. Já sendo comparado com o best-seller de Hornby, Alta Fidelidade (High Fidelity, que em 2000 ganhou uma adaptação cinematográfica), pela maneira como aborda a obsessão por música guiando a vida dos personagens, ele também é um modo do escritor falar um pouco sobre a evolução dos meios. Se em Alta Fidelidade temos uma carta de amor ao vinil, em Juliet, Nua e Crua o autor fala sobre o mp3 não ter destruído a qualidade, mas tornado ser fã muito mais fácil. Personagens cativantes, vários pontos  de vista e música que torna impossível ler no silêncio, ou seja, tudo que Nick Hornby sabe fazer de melhor.

Juliet, Nua e Crua já foi lançado no Brasil, pela Editora Rocco.

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