Steven Russell cumpre prisão perpétua. Ele fica preso em uma cela de 1,80 x 2,10 m com uma sólida porta de aço fechada por um cadeado. Só pode sair de lá durante uma hora todos os dias. Todas as vezes, é revistado. Duas vezes por semana é levado para uma nova cela. Seus pertences são sempre vasculhados por policiais a cada mudança.

A rotina do detento está exposta em “Eu te Amo, Phillip Morris”, do jornalista Steve McVicker. O motivo de tanta cautela quanto à permanência do prisioneiro na cadeia não é por alguma atrocidade que ele cometeu. Russell responde por um feito raro que enfureceu a polícia do Texas. Em cinco anos ele fugiu quatro vezes da prisão. Todas as fugas aconteceram em uma sexta-feira 13.

A história verídica foi adaptada para o cinema pelos diretores e roteiristas John Requa e Glenn Ficarra (de “Papai Noel às Avessas” e “Sujou… Chegaram os Bears”) e estreia em São Paulo na próxima sexta-feira (4) sob o nome de “O Golpista do Ano“. Apesar de o título esconder a temática homossexual da história –Russell conhece na cadeia seu grande amor, Phillip Morris–, o lançamento acontece a dois dias da Parada Gay.

A comédia é estrelada por Jim Carrey e Ewan McGregor, nos papéis de Steven Russell e Phillip Morris, respectivamente. Rodrigo Santoro faz uma participação no filme como um dos primeiros namorados do fugitivo. O longa começa contando a história do golpista como policial, casado e pai de família até sofrer um acidente. Diante da tragédia, o protagonista percebe que não pode mais esconder sua homossexualidade e se assume.

Ao adotar um estilo de vida gay, Russell descobre que desfrutar de muito luxo custa caro. Para presentear seus namorados, ele passa a aplicar golpes no sistema de seguros e crédito. À medida que o tempo passa ele torna-se cada vez mais experiente, seus truques ficam complexos, e sua experiência enquanto mentiroso convincente cresce.

Apesar da capacidade para enganar as pessoas, o jornalista Steve McVicker diz que não encontrou nenhum falso testemunho de Russell quando foi checar as histórias que o prisioneiro lhe contava. Além disso, o biógrafo descreve o golpista como alguém bastante criativo e inteligente.

Tanto o livro como o filme narram seqüência quase inacreditáveis na vida do ex-policial, como o episódio em que, após fugir da prisão, Russell decide viajar em alto estilo e aluga uma limusine.

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