Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JKF, em Nova York, em seu último dia de trabalho, antes da aposentadoria, começa a beber em serviço e perde totalmente o controle. Além de não querer deixar seu cargo (pelo poder da posição), um sério problema de saúde o aflige. Ele quer descontar suas raivas, frustrações e angústias em alguém.

Ao entrar nos EUA pessoas de vários países são detidas na imigração, onde o oficial-responsável pela liberação de entrada, dá as ordens abusando do seu poder. Outros dois assistentes entram no jogo de perguntas e respostas, dizem ser necessário para carimbar o passaporte, o que começa a irritar o brasileiro Nonato (Ihrandir Santos) e transforma a espera num pesadelo para todos. Entre os imigrantes, todos povos latinos, uma cubana estudante de balé clássico, uma poetisa argentina com marido, um grupo de Honduras, etc.

Num ambiente claustrofóbico semelhante ao obtido por Giuseppe Tornatore em Simples Formalidade (1994), o diretor José Joffily (Quem Matou Pixote? e Dois Perdidos numa Noite Suja) cria com muita eficiência um clima de forte tensão, no qual gradativamente se destilam os mais arraigados sentimentos de ódio, culpa e preconceito.

A situação começa a se desvendar partindo do futuro onde Marshal, o oficial, se encontra em Recife procurando uma menina com a ajuda de uma garota Bia que conhece nas ruas. No vai e vem de presente e futuro é possível saber o que aconteceu, mas que será revelado apenas no final, embora previsível..

Este é uma real visão do “Sonho Americano”-trabalhar nos EUA e ficar rico ou, pelo menos se dar bem… sonho este acalentado por vários brasileiros que acabaram retornando sem realizar nada. A ilusão de que em outro país a vida será menos miserável cria objetivos meio malucos.

Atores brasileiros e americanos, maior parte do filme em inglês, vai ajudar na distribuição em outros países, reunindo um time de primeira, excelentes atuações que chega mesmo a irritar.

As linhas narrativas se encaminham com competência para a solução final que – se não é exatamente surpreendente – tem o mérito de carregar consigo uma vigorosa discussão sobre as diferenças históricas e aparentemente irreconciliáveis que separam as civilizações dominantes das dominadas.  O elenco de apoio é ótimo, com destaque para a prostituta Bia (Cristina Lago) e os atores principais têm performances geniais. Antagonista e protagonista duelam em palavras, gestos, expressões. E quem ganha é o público.

Um belo trabalho do diretor Joffily, forte e corajoso, que foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o principal, de Melhor Filme. O longa estréia em 28 de Maio de 2010.

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