Há 30 anos atrás, em 21 de maio de 1980, chegava aos cinemas americanos aquele que é considerado por muitos a melhor seqüência cinematográfica de todos os tempos: O Império Contra-Ataca, segundo filme da trilogia original de Guerra nas Estrelas e quinto episódio da série completa.

Guerra nas Estrelas, um filme de ação, aventura, romance, naves espaciais, lutas de espadas, enfim, um gênero novo que nascia. E O Império Contra-Ataca era a tão esperada seqüência desse exemplar único.

De posse de um bom caixa obtido com o primeiro filme, George Lucas não economizou nem no roteiro nem nos efeitos especiais. E, mais ainda, fez algo que, segundo alguns, foi crucial: se afastou das câmeras.

Uma vez provada que a idéia era viável, Lucas primeiramente decidiu tornar-se financeiramente independente dos grandes estúdios de Hollywood e financiou ele mesmo a obra. Além de cuidar de toda a parte financeira, ele pessoalmente supervisionou os efeitos especiais do filme através da sua empresa ILM (Industrial Light and Magic). Só assim ele conseguiu garantir que todos os desafios impostos pela produção fossem cumpridos. Não apenas as cenas de lutas entre naves no espaço, mas seqüência tão grandiosas como a batalha no planeta de gelo que abre o filme.

Ficando com os efeitos especiais e as finanças, George Lucas contratou Leigh Brackett e Lawrence Kasdan para escrever o roteiro. Leigh já havia escrito roteiros para outros filmes, como The Big Sleep (1946) e Rio Bravo (1959) e faleceu logo após escrever o primeiro rascunho de “Império”. Lucas, então, pediu a Kasdan (que havia escrito o roteiro de Caçadores da Arca Perdida, primeiro filme de Indiana Jones no cinema) para terminar o roteiro. Para a direção do filme foi chamado Irvin Kershner, um ex-professor de George Lucas. Com o time formado e os desafios vencidos, o resultado foi uma obra-prima. Até hoje, o filme é considerado o melhor episódio da série, vencendo inclusive os episódios da nova trilogia.

Numa época em que as continuações de êxitos cinematográficos raramente estavam à altura dos originais o filme não decepcionou mesmo com tanta expectativa gerada sobre a seqüência, normalmente, o resultado era a decepção. Mas não com o Império graças ao sucesso do primeiro filme, George Lucas e Irvin Kershner fizeram o segundo ato uma verdadeira ópera espacial, um momento de transição na saga de um herói, que é obrigado a descer ao “inferno” para alcançar o auto-conhecimento e estar pronto para caminhar rumo à luz

Toda a inovação tecnológica mostrada em Guerra nas Estrelas foi aperfeiçoada. Os cenários, os efeitos visuais e a sensação de movimento das naves. Mas a verdadeira novidade, jogou-se noutro patamar. “O Império Contra Ataca” não se limitou a repetir a fórmula ganhadora do primeiro filme.

O roteiro partiu para vôos mais altos, com o diretor Irvin Kershner a apostar num desenvolvimento dramático e num aprofundamento dos personagens, que, até então, era raro em filmes do gênero. Personagens como Yoda, Chewbacca, Han Solo, Darth Vader ou Luke Skywalker, deixariam para sempre marcada uma geração inteira

O Império Contra-Ataca abriu mais espaço para o gênero iniciado por Guerra nas Estrelas. Uma história de aventura espacial. Mas, ao contrário do primeiro filme, que era quase um conto-de-fadas intergaláctico, o “Império” era sombrio, há um anti-heroísmo em tudo.

Os mocinhos são os rebeldes acuados, o herói da série ainda não se convenceu de seu papel e, assim, do lado do bem, parece se encaminhar para o pior. No lado do mal, ao contrário, tudo é ordem e vitória. E, ainda por cima, há a grande revelação de que Luke Skywalker, grande esperança da aliança rebelde é, na verdade, filho do vilão Darth Vader. Era um filme “dark” e arrancou, na época, algumas críticas negativas. Mas, passado o susto e com o amadurecimento da audiência, o filme foi ficando cada vez melhor aos olhos dos fãs.

O filme arrecadou 538,3 milhões de dólares por todo o mundo e continua a ser um dos filmes mais queridos pelos fãs da série “A Guerra das Estrelas” uma das diversões mais completas já criadas por Hollywood e o próprio criador/diretor, George Lucas, que já confessou ser este uma das suas obras preferidas. E até hoje, quem se arriscar a assisti-lo vai encontrar um filme bonito, bem-feito, denso e estimulante.

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