O escritor Robert McKee, um dos principais consultores de roteiros de Hollywood, afirmou que o principal problema do cinema brasileiro é a falta de roteiristas. Para ele, a classe no país é “desunida, preguiçosa e medrosa”, com uma produção norteada pela adaptação de romances literários. Aos 69 anos, o norte-americano de Detroit é um dos mais conhecidos mentores de roteiristas para cinema e TV. McKee aderiu ao corpo docente da Escola de Cinema e Televisão da Universidade do Sul da Califórnia, em 1983, que iniciou o seminário Story, fazendo uma grande platéia no mundo inteiro.

Seu livro, intitulado “Story”, tornou-se um tipo de bíblia para os aspirantes à carreira de escritor. McKee está em São Paulo para ministrar seu minicurso, lançado há 25 e que já formou mais de 50 mil alunos, entre diretores, produtores, atores e roteiristas.

Entre seus alunos figuram nomes como Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante), Peter Jackson (Senhor dos Aneis), além dos escritores de Wall-E, Shrek, Piratas do Caribe, Arquivo X, Seinfield, Friends, Grey’s Anatomy, Procurando Nemo, O Show de Truman, Forrest Gump e Os Simpsons.

“[O que falta é] o roteiro. Vocês têm ótimos atores, ótimos diretores, vocês têm tudo que os melhores países têm. Se um filme no Brasil é bom, ele geralmente é a adaptação de um livro. Muitas vezes o cinema brasileiro tem que esperar escritores fazerem bons livros que podem ser adaptados. Precisa parar de se ‘canibalizar’ os romances”, falou McKee, em entrevista à Folha.

“A cada um ou dois anos, em média, surge um brilhante filme brasileiro. A reputação do Brasil, em geral, é boa no exterior. Com a Argentina, são os países mais famosos do continente sul-americano.”

Perguntado se o fato de as maiores produções do cinema nacional receberem subsídio do governo, o consultor afirmou que não conhece a fundo a situação do Brasil, mas que já viu a situação se repetir na Europa. “A Suíça financia o cinema, mas não são feitos filmes suíços sobre seu sistema bancário corrupto”, respondeu.

Quanto à questão do financiamento governamental, McKee afirmou ainda que os escritores brasileiros serão covardes se alterarem suas produções por conta do vínculo. Ou então são preguiçosos, por não buscarem levantar orçamento privado para realizarem seus filmes.

“Precisa criar-se uma cultura de escritores para cinema. Quando venho para o Brasil, essa é minha missão: incitar a escrever.”

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