Para “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, é preciso encontrar uma outra palavra. “Clássico” não é suficiente. Talvez o vocabulário humano ainda não tenha desenvolvido um termo que faça justiça ao que é este trabalho do lendário cineasta Stanley Kubrick. Aqui, uniram-se as forças de Kubrick e Arthur C. Clarke, renomado autor de ficção-científica que morreu este ano.

Os principais temas de “2001″ centram-se entre a evolução humana, os rumos da tecnologia e inteligência artificial, vida extraterrestre e outros temas até então nunca tão bem tratados na telona. Alguns dos conceitos foram retirados de alguns contos escritor por Clarke nos anos 40. A direção de Kubrick serviu de complemento para transformar “2001 – Uma Odisséia no Espaço” em um dos filmes mais complexos de todos os tempos.

No primeiro dos “episódios”, vemos o despertar da humanidade. Numa sequência sem qualquer tipo de diálogo, vemos um grupo de macacos convivendo em sociedade. O ponto de evolução acontece quando um mata o outro usando um osso como arma, marcando a invenção da ferramenta. Nessa hora também surge um estranho objeto preto e retangular, que até hoje é assunto de especulação quando se fala de “2001″. Este “monolito”, como é chamado, é apontado por alguns como a representação da evolução da espécie, pois sempre aparece num momento em que a humanidade dá um grande passo. Nesta primeira vez, o grande passo foi a invenção da ferramenta. O conceito de ferramenta dá origem a muitas coisas, entre elas, o computador e a inteligência artificial. E é sobre isso o segundo “episódio”.

Neste, temos diálogos e personagens humanos, além de alguns robóticos. O doutor Heywood R. Floyd (William Sylvester) está numa missão misteriosa. A nave dele pousa na Lua para investigar um estranho objeto negro e retangular que surgiu do solo. Trata-se de mais uma aparição do “monolito”, que os macacos descobriram. Dezoito meses depois, a ação passa para o controle de Dave Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood), dois astronautas a bordo da nave Discovery One, que contém ainda três cientistas dormindo em câmaras especiais e o controlador de tudo, o super-computador HAL 9000. A máquina é tida como o máximo de inteligência artificial desenvolvido pela humanidade, capaz até de imitar reações e emoções humanas. Esta história vai na contra-mão das outras, representando uma desconstrução da humanidade. Chega um momento em que HAL reporta uma falha no lado de fora da nave. Quando os astronautas chegam lá para consertá-la, não há nada. HAL, o super-computador, errou.

“2001 – Uma Odisséia no Espaço” tem ainda mais um episódio, talvez o mais enigmático de todos, que envolve o “renascer” da humanidade. Mas o filme é sempre lembrado pelo conflito entre homem e máquina – HAL não admitindo que errou e o time de astronautas tentando desligá-lo para que não comprometa a missão. O “monolito” não aparece nessa ocasião.

O filme inovou também os efeitos especiais. A comunidade científica apontou que grande parte das retratações de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” são bem precisas, semelhantes à realidade. O espaço sideral é silencioso, os astronautas flutuam nas naves… O que mais impressiona é o quanto o filme acertou com relação ao retrato de 2001. No filme, existem televisões de tela plana, identificação por voz, um computador que pode ganhar de um humano no xadrez, e até a resistência de empresas como IBM e Hilton.

A trilha sonora é outro espetáculo. Talvez pela escassez de diálogos, muito do destaque que se dá ao filme é devido à sua trilha sonora. Trabalhos de Strauss, Mozart, Beethoven e muitos outros estão lá. “2001″ chega a ter números musicais, que são seqüências só com música e ação sem diálogos acontecendo na tela. A valsa de Brahms, por exemplo, é o tema de uma estação espacial em órbita e uma caneta que escapa do bolso de um astronauta, devido à falta de gravidade.

Em 1984, foi lançada a adaptação do segundo livro, “2010 – O Ano em Que Faremos Contato”. Apesar de não ser dirigido por Kubrick, o diretor Peter Hyams teve a “bênção” dele e do autor, Clarke, para realizar a adaptação. Neste filme, uma equipe é escalada para resgatar a nave Discovery (a de HAL 9000, que se perdeu no espaço no primeiro filme) nove anos depois. O valor dela restringe-se ao do que é, uma adaptação, e não a revolução cultural, histórica e estética de “2001″.

Ao falar de um filme como este, qualquer palavra parece inferiorizá-lo. Assunto de interpretações até hoje, “2001 – Uma Odisséia no Espaço” é, sem dúvida, a obra maior de um dos maiores autores de cinema de todos os tempos. As decisões tomadas por Kubrick e Clarke definiram “2001″ como um eterno clássico; até que surja uma palavra melhor.

Tailer Aqui

Anúncios